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DESAFIO DE UMA JOVEM SWINGER

Desafio de uma jovem swinger



Ana Beatriz S. ([email protected])

Juiz de Fora

http:br.geocities.comanabeatriz101



Oito semanas havia que volt�ramos de nossa lua-de-mel. Ludwig retornara à sua rotina na f�brica. Eu cumpria a promessa que fiz. N�o voltei a trabalhar e preenchia o tempo lendo Proust e trabalhando como volunt�ria.



Meu marido adorava aquelas polias e m�quinas. Voltava de l� pleno, leve. Conheci a f�brica, sua outra paix�o. E conheci a voz de veludo que me dizia ol� quando eu ligava para meu noivo e agora marido, Ermengarda, sua secret�ria. Olhos azuis, cabelo abaixo dos ombros, um metro e setenta e tantos, era uma Giselle Bundchen sem photoshop perdida num escrit�rio de metal�rgica. Saiu para atender uma liga��o de Hamburgo. Falava alem�o. Vi o corp�o se afastar. Perguntei a Ludwig se j� transara com ela.



- Nem pensar – disse ele. – � l�sbica. Ac�rrima, radical e irredut�vel.



Aguentamos um par de segundos depois ca�mos na gargalhada, os dois. Pensamos a mesma coisa. Naquela f�brica cheia de homens, justo a mulher mais bonita era mais distante que a estrela Antares. Decep��o para tantos operariozinhos de vinte anos e macac�o azul. Deviam ficar literalmente na m�o, os coitados.



Ludwig me falou que Ermengarda era na verdade bem �til. E n�o s� por seus talentos de poliglota e assessora. Sempre que tinha algum problema com alguma empresa, e a pessoa com quem lidar era uma mulher, e que Ludwig com seu faro percebia que a aquela mulher n�o tinha a rela��o homem-mulher como cl�usula p�trea, l� ia a Ermengarda.



Certa vez uma empres�ria americana berrou, amea�ou, quis rasgar contrato. E l� foi a Ermengarda. Por um dia e duas noites meu marido ligou para fixos e celulares, e nada. At� que às sete da manh� recebeu uma liga��o de Ermengarda. As duas estavam juntinhas num chal� com lareira perto de Nova Friburgo. A americana mandava lembran�as. Nunca mais falou em rompimentos nem nada. Quase um milh�o foi salvo e meu marido realizou um velho sonho de Ermengarda: deu a ela uma Harley Davidson Heritage Classic que ela pavoneava com �culos escuros e roupas de couro nos fins de semana para as mo�as de Juiz de Fora.



Mas enfim eu topara ser uma swinger, isso significa troca de casais e at� o momento n�o trocara nada. Juro que temia a primeira vez. Pensava em an�ncios em internetes, festas em por�es com correntes, cadeados e m�sica rave e tatuagens de hell´s angels. Mas Ge�rgia e T�rcio eram o casal mais couple next door, como os americanos dizem, que j� vimos. Ela era branca do cabelo alourado escorrido, tipo argentina apesar de nada ter a ver com o pa�s. Ele tinha aqueles olhinhos claros que minha av� falava olho de menino bom.



N�s os conhecemos em frente à Igreja da Pampulha do Niemeyer em Belo Horizonte. Eles, turistas de fim de semana, comemoravam dois anos de docinho-casadinho. Ludwig passara a semana por l� inspecionando uma fabrica��o de rolamentos e me chamara para viver o s�bado e o domingo a passear.



Tiravam fotos. Ele pediu para Ludwig tirar a foto deles na Olimpus 2.1, ela na sua cal�a e blusa creme combinando, os �culos que se derramavam pela bochecha, tipo anos setenta, ele no jeans e camisa de gola rol�. Dizem que juizdeforano n�o tem sotaque, mas tem. Reconhecemo-nos na hora. Acabamos indo juntos visitar o Museu de Arte e tiramos uma foto a quatro na pista de dan�a do antigo cassino, hoje museu.



De volta continuamos a nos encontrar para um refrigerante ou sorvetinho diet, às vezes n�s duas, às vezes com os maridos. Tinham um apartamentinho no Bosque dos Pinhais. Cozinhavam lasanha, iam ao cinema no Moviecom Alameda, lavavam os pratos juntinhos. Ensinei a eles uma fritada de peda�os de frango que era um sucesso em Espera Feliz, terra de minha m�e. Ge�rgia queria se aperfei�oar em psicopedagogia na PUC do Rio e eu dava for�a. Cheguei a indicar algu�m que alugava apartamentos baratinho na G�vea. T�rcio me ajudava a dar for�a, se entusiasmava com o futuro da esposa.



Um dia est�vamos numa sorveteria na Vila Alpina, quase esquina com a Vitorino Braga. Ludwig e Ge�rgia na outra ponta da mesa falavam de viagens. T�rcio e eu fal�vamos de natureza, Augusto Ruschi, de �rvores da Mata Atl�ntica, jacarand�s e cavi�nas, os olhos marrom-claros muito perto. Pode parecer estranho uma cena rom�ntica surgir da reciclagem de lixo, mas T�rcio me falava de como ao separar as garrafas e papel�es a gente faz duas coisas boas ao mesmo tempo, ajuda as pessoas necessitadas e preserva a natureza, e eu comovida com tanto idealismo juro que n�o pensei. Ou melhor, quando pensei j� fazia uma meia d�zia de segundos que a minha l�ngua e a dele ro�avam e tentavam se dar n�s, e os meus dedos entretecidos nos cabelos dele traziam sua cabe�a para mim e as m�os dele nos meus cabelos faziam o mesmo. Passaram-se umas dezenas de segundos ou horas antes que abr�ssemos os olhos, e Ludwig e Ge�rgia sorriam como pais olhando traquinagem de beb�s. Ludwig tossiu e perguntou para ela:



- Enfim, voc� tamb�m esteve em Salvador?



- Ah sim, cidade linda. Subiu no elevador Lacerda?



Minutos depois por expresso clamor da dupla Beatriz-T�rcio, a dupla Ge�rgia-Ludwig nos levou para um motel l� perto. N�o lembro o nome, lembro que os quartos e banheiros eram enormes. A segunda dupla sentada em almofadas ao lado do frigobar tagarelava sobre cidades distantes, das cidades que conheciam partiam para as que queriam conhecer, e quando as que queriam conhecer terminaram, apelaram para as que n�o queriam, e tome atra��es tur�sticas do Tibete, Samarcanda e Ouro Fino do Mato Dentro.



A primeira dupla, creio, fazia algo bem mais interessante. Eu e T�rcio viramos crian�as, fascinadas com o mundo e nossos corpos. Eu via um jovem homem nu, ajoelhado na cama, com muito mais pelos no corpo que eu pudera imaginar, os bagos bem soltos emergindo dos muitos pelos acastanhados. O falo duro e um tanto recurvo tinha uma tend�ncia para a esquerda. A cabe�a meio encoberta pela pele pedia uma m�o feminina para descobri-la. Os bicos do peito eram largos como os de uma mulher e mal se podiam ver em meio aos pelos. A carinha era mais inocente ainda que quando me falava das maravilhas da preserva��o da natureza.



Pelo super-espelh�o-redondo do teto eu via uma jovem mulher nua, deitada, as pernas um pouquito abertas, seu tri�ngulo negro bem definido à base de ladyshave, os bicos dos seios r�gidos apontando o espelho. Ela se divertia passando a m�o nas coxas cabeludas do rapaz, entretecendo os dedos nos pelos macios. Sentiu o peso dos ovos na m�o, suspendeu-os, riu ao faz�-los balan�ar como badalos de sino.



Envolveu o falo e puxou a pele para tr�s, descobrindo a cabe�a arroxeada. T�rcio tocava e mal tocava nela com as pontas dos dedos, come�ando nos tornozelos, fazendo c�rculos, levando meio s�culo para chegar à barriga da perna, e subir. Quando chegou ao tos�o de pelos negros a garota dava mostras de n�o aguentar mais de urg�ncia. Got�culas brilhantes ornavam as pontas de alguns dos pelos e entre eles algu�m colocara um cord�o fino de j�ias cor-de-rosa como que envolvido em papel de seda negro. Derrubou o rapaz, pulou sobre ele. Um arranha-c�u surgiu, cabe�a brilhante apontando o teto. A garota sentou fazendo o arranha-c�u de T�rcio desaparecer t�o r�pido como surgira.



Meia hora ou sei l� quanto depois eu era pluma, leve no vento. Fechava o �ltimo bot�o da blusa, T�rcio quarando na banheirona de hidromassagem. Quando voltei ao quarto e vi aquela mulher, nua, os seios de bicos pequenos um tantinho ca�dos, o tri�ngulo de pelos um pouco mais claros que o cabelo. Estava deitada na frente de um homem alourado, o falo grosso desconhecendo a lei da gravidade, o sinalzinho marrom, o meu sinalzinho, a mais ou menos um ter�o dos pelos macios como algod�o. Ge�rgia e Ludwig riram olhando a rec�m-chegada. Ge�rgia afastou mais ainda as pernas, uma fenda cor-de-rosa surgiu em meio ao tri�ngulo. Riu de novo.



Confesso, minha cabe�a deu um pulo, foi at� o outro lado da lua e tive de me esfor�ar para faz�-la voltar. Respirei fundo, aspirei metade do ar do mundo at� causar algum tuf�o nas Filipinas. Pensei: A-na-Be-a-triz, vo-c�-fez-um- a-cor-do. Voc� transaria com outros homens, seu marido transaria com outras mulheres, desde que fosse tudo claro, às abertas. Eu conhecia o lado amargo de ser uma swinger. Transar com outros homens, maravilha. Conhecer um jovem casado com carinha-de-anjo e brincar de cavalinho com ele, maravilha. Fazer amizade com uma mulher casada, gostar dela, tornar-se amiga dela, e descobrir que ela � uma piranh..., N�o n�o, Beatriz, olha o acordo, que quer transar com o meu marido, que horror. Pior, ver o falo do meu homem, o meu falo, aquele verdadeiro peda�o de mim, v�-lo endurecer por causa de outra mulher, horror, horror.



Ela fez um gesto e disse Por favor?... e eu sabia o que eu deveria fazer. Infelizmente sabia. � um costume a mulher casada romanticamente colocar a ferramenta do pr�prio esposo na fenda da amiga. Eu disse a mim mesma pela trig�sima-sexta vez Ana Beatriz, olha o acordo e juro que n�o sabia que sabia tantos palavr�es, eu pensei piranha, puta, vagabunda, galinha, cadela, biscate, vaca, vadia, talarico e outros de diversos tempos e regi�es.



Peguei o falo de Ludwig, a cabe�a que eu conhecia t�o bem parecendo ainda maior, puxei a garota mais para perto, espalmei minhas m�os no interior das coxas dela e abri mais as pernas um tanto finas, a fenda r�sea tornou-se ainda mais definida. Fiz Ludwig se inclinar sobre a garota e dirigi a cabe�a a mais ou menos um ter�o da fenda. A menina remexeu, soltou um par de gemidos. Remexi para cima, para baixo, achei o vazio, mandei meu marido montar. A cabe�a desapareceu e a garota como que tentou pular para o lado como quem leva uma chicotada, esbugalhou os olhos e disse olhando para mim:



- Que pau gostoso!



Uma panela d´�gua sobre minha cabe�a naquele momento ferveria. Retirei-me para uma cadeira, miss�o cumprida. A �nica forma de sobreviver àquilo foi imaginar que n�o eram meu marido e minha amiga, eram uma mulher e um homem qualquer na China ou Tail�ndia, por ali. Transavam de maneira cl�ssica, Ge�rgia as pernas brancas bem abertas, Ludwig inclinado sobre ela estocando se apoiando com as m�os. Como relativamente pouco dos seus corpos tinha contato a garota dava quase pulos, dizendo Hoh, hoh!... e virando o rosto a cada estocada. Meu marido de vez em quando parava, pegava um dos seios da amiga, levava-o para o l�bios, lambia os bicos e depois continuava. Confesso que entre minhas pernas surgiu aquela umidade, apesar da raiva, que deixava claro que eu estava a achar a cena interessante.



A garota em um pulo ficou de quatro e rebaixou a cabe�a para a cama, mantendo o bumbum para cima, oferecendo bem a fenda j� bastante mais dilatada para meu marido. Que aceitou a oferta, entrando firme na menina e fazendo a cama e quase o pr�dio todo vibrar. Gozaram juntos, meu marido jorrando seu leite bem no interior dela, n�o deixando nenhuma gotinha para eu ver.



Vestiram-se, voltamos, eu calada como ostra. Dia seguinte, eu voltava do Centro, encontrei na sala um bolo e os tr�s que me cantavam Parab�ns pra voc�, nesta data querida... O bolo tinha escrito, Parab�ns pela estr�ia, e Ludwig, T�rcio e Ge�rgia me abra�aram, Ge�rgia com aquele abra�o sacudido e apertado, beijaram-me no rosto.



Ludwig disse que o desafio de um swinger � esse, n�o � transar, � ver o outro transar. Ele temia como eu levaria aquilo. Quando conhecemos Ge�rgia e T�rcio, ele soube que j� tinham sa�do um par de vezes com outros casais, n�o tinham problemas quanto a isso. E Ludwig combinou com Ge�rgia que se surgisse a ocasi�o eles a aproveitariam, e ficariam de olho na minha rea��o. E viram o ci�me nos meus olhos mas eu segurei bem. Retribu� os abra�os, dei muitos beijos no rosto, comemos o bolo de recheio de ameixa e dan�amos Lulu e L�o Jaime at� a madrugada. Ge�rgia e T�rcio s�o nossos amigos at� hoje. Vivem num apartamentinho na G�vea e nos visitamos sempre.



Parab�ns para mim!



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