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THE BENJAMIM

Antes tornar publico esses escrito eu gostaria de fazer algumas observa��es.

Primeiro esse � um conto que apesar de estar em uma comunidade de contos er�ticos, em que a maior parte dos contos relatados tem uma carga de erotismo explicito e quase pornogr�fico (isso n�o � uma critica negativa). Esse conto � um pouco diferente, pois � erotismo muito sutil.

Costumo dizer que assim como que para bater uma boa punheta � necess�rio ter uma boa imagina��o, para ler um livro, um conto uma revista ou que quer que seja tamb�m h� essa necessidade.

Assim caro leitor eu espero que se voc� tiver paci�ncia de ler esse conto, tenha a sensibilidade (eu creio que essa � palavra mais adequada) para “capitar” o erotismo do conto que às vezes n�o � explicito. Eu gostaria de transmitir por essas linhas algo mais que “tes�o”. A excita��o ser� muito bem vinda, obvio, ate porqu� se trata de um conto er�tico, mas gostaria que acompanhado dela houvesse, emo��o.

Segundo por se tratar de um conto n�o � uma hist�ria 100% ver�dica. È um conto que tem alguns tra�os de veracidade. Um conto composto por hist�rias vividas pelo autor ou por outras pessoas. Para escrever esse conto busquei inspira��es, como j� foi dito em minha vivencia pessoal, em situa��es que j� observei e em coisas que li ou vi. Assim voc�s, v�o achar muitas coisas que de alguma forma podem ter visto, lido ou quem sabe ate mesmo vivido.

Terceiro as cr�ticas s�o sempre muito bem vindas, e como � um texto que ainda esta e constru��o e se trata de uma FIC��O fatos e personagens podem ser alterados.

E quarto lembre-se do mais importante, como j� disse Stephen King em seu conto “Inverno no Clube”: “ O IMPORTANTE � A HIST�RIA, E N�O O NARRADOR.”



Arthur C. Dreifuss



__ Acorda Ben, voc� n�o vai querer chegar atrasado em seu primeiro dia de aula, ou vai? _ disse Rachel enfrente a cama do filho que se cobria ate a cabe�a com o len�ol.

___ M�e eu tenho mesmo que ir? _ disse ele tirando o len�ol de cima da cabe�a deixando a mostra os cabelos loiros despenteados e olhos profundamente azuis.

___ J� conversarmos sobre isso...

___ Mas, � que...

___ Nada de mais Benjamim, levante-se tome seu banho e des�a para tomar seu caf� eu estou te esperando.

Benjamim se levantou da cama de forma bastante pregui�osa e quase se arrastando foi para o banheiro, se olhou no espelho. O cabelo estava despenteado, n�o estava com bom h�lito tamb�m. Ele se olhou demoradamente no espelho. Notou que os ombros estavam mais largos, o rosto come�ava a ganhar contornos mais masculinos... em um reflexo r�pido tirou a bermuda e a cueca, olhou para baixo ... olhou um tempo para o p�nis e foi em dire��o ao chuveiro. Temperou a �gua e entrou em baixo dela. Enquanto a �gua caia em suas costas, pensou em tudo que havia deixado em S�o Paulo. A escola, o bairro, os amigos. Como estaria todo mundo? O Lucas, o Felipe, o Jac� o Renato, a Aline a Sabrina e claro a Carol... ah Carol que saudades ... pensou ele.

Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa seu pensamentos foram interrompidos por sua m�e a porta:

___ Benjamim, voc� se afogou ai dentro?

___ N�o m�e, eu estou saindo!

___ Ande logo, n�o temos o dia todo sabia?

Terminou o banho se enxugou se enrolou na toalha a altura da cintura e rapidamente se arrumou. E cinco minutos depois j� estava sentado a mesa.

___ Que cara � essa Ben?

___ Por que tivemos que mudar m�e?

___ Para come�armos de novo Ben, voc� sabe disso.

___ Recome�ar o que m�e? Estamos sempre recome�ando alguma coisa, a senhora j� percebeu isso? Parece que nunca onde estamos esta bom. Quantas vezes mudamos nos �ltimos anos? Umas tr�s vezes? Tr�s vezes em cinco anos m�e da para acreditar?

___ Eu sei que n�o � f�cil para voc� Ben, mas eu prometo que dessa vez vai ser a �ltima. Tem algo aqui dentro de mim que me diz que tudo vai ser diferente dessa vez.

___ Sinto falta do papai. Eu acho que com ele pelo o menos sab�amos para onde ir�amos.

___ Mas, n�s sabemos querido.

___ N�o m�e, n�s n�o sabemos e a senhora sabe disso.

Eu vou escovar os meus dentes e pegar as minhas coisas.

__ Mas voc� mal tomou seu leite...

__ Estou sem fome m�e. _ disse ao se levantar.



Benjamim Katz Washavski Rothschild ou simplesmente Ben como os amigos o chamam, � um adolescente de 19 anos (vai fazer 19 em mar�o) alto deve ter seus 1.78, um tanto quanto magro, muito branco, porque quase n�o toma sol, tem cabelos claros e olhos grandes e azuis, um leve sotaque paulista.



Durante o trajeto de casa ate a escola os dois mal trocaram uma �nica palavra. O sil�ncio do carro s� era quebrado gra�as ao locutor da radio que anunciava:

“__ Bom dia Florian�polis, agora s�o exatamente seis horas e cinquenta minutos, a temperatura agora esta em torno dos 20 Graus e o sol aparece entre nuvens nessa, pregui�osa manh� de segunda feira de fim de ver�o.”

__ Chegamos Ben, a escola � aqui. _ disse a Rachel ao parar em frente ao imponente pr�dio da Escola Professor Arthur Schneider. N�o � a Beth Jacob, mas foi bem recomendada.

Enquanto a m�e tentava empolga-lo o Ben, olhava para o pr�dio com um ar de indiferen�a.

___ Que cara � essa meu filho? De uma chance a escola, acho que voc� vai gostar.

___ Assim como à senhora achou que iria gostar de Florian�polis? Assim como à senhora, achou que eu iria gostar de me separar de todos os meus amigos?

___ Ben...

___ M�e, eu vou indo nessa, agente se fala mais tarde.

___ Ei rapazinho sua m�e n�o ganha nem um beijo de despedida?

Meio a contra gosto ele veio e deu um beijo no rosto dela.

__ Te espero para o almo�o, n�o se atrase. Amo voc�.

__ Pode deixa m�e n�o vou me atrasar e tamb�m amo a senhora.

Depois que a Rachel foi embora o Ben, ficou ainda um instante parado na porta do col�gio como quem estava estudando tudo ali.

Alguns minutos depois ele resolveu entrar cruzou o port�o e atravessou o p�tio em dire��o as escadarias. Por todo o p�tio via se meninos e meninas que em grupos comentavam entusiasmados como foram as f�rias de ver�o e as festas de fim de ano.

Enquanto caminhava o Ben se sentiu um estranho no mundo. Com um peda�o de papel nas m�os ele procurava a Sala 318. Depois de subir dois lances de escadas e atravessar um grande corredor, parou em frente uma porta onde uma mo�a de cabelos pretos, muito l�pis creon ao redor dos olhos mascando chiclete e com um enorme brinco em uma das orelhas estava em p�.

__ �... Com licen�a � aqui a sala 318?

__ Essa mesma, vai estudar aqui?

__ Sim, eu acabei de me mudar com minha m�e de S�o Paulo para c�. A prop�sito me chamo Benjamim.

__ Michele. Nome gozado o seu em carinha...

O Ben ficou um pouco sem gra�a e vermelho, mas deu um sorriso de canto e disse:

__ � pouco usual, mesmo. Agora eu acho melhor procurar meu lugar. Com licen�a.

__ Fique a vontade.

O Ben sentou em um lugar bem na frente e olhando fixamente para o quadro pensou: “Como eu queria que a terra abrisse e me engolisse.”.

O desejo do Ben n�o se realizou, a terra n�o abriu e ele n�o foi engolido. Pontualmente as sete e quinze o sinal bateu. Todos os alunos entraram e em seguida veio o professor.

__ Bom dia, bom dia mo�ada, como foram de f�rias? Prontos para mais um ano? Bem para quem n�o me conhece (eu vejo rostos novos por aqui hoje) meu nome � Caio, sou professor de Literatura.

O Caio era bem jovem parecia ter seus 23 ou 24 anos no m�ximo, devia ter acabado de se formar. Tinha aquele sotaque, lusitano que fazia o Ben pensar que estava em Lisboa.

De repente os pensamentos do Ben foram interrompidos pela pergunta que pareceu lhe cair como uma bomba:

__ E tu guri, de onde veio e qual o seu nome?

__ �... Benjamim, eu acabei de me mudar com minha m�e de S�o Paulo para c�.

__ Benjamim?

__ Sim.

__ Benjamim. O filho mais novo de Jac� com Rachel?

__ Isso mesmo.

__ Bonito nome cara, seja bem vindo, a escola a nossa cidade e ao estado. Acho que tu vai gostar daqui.

O Caio pareceu ser bem simp�tico. Fez com que o Ben se sentisse a vontade. Em seguida ele perguntou o nome de outra aluna e o Ben voltou a mergulhar em seus pensamentos.

Como estaria agora o Beth Jacob? De que ser� que ele estaria tendo aula se estivesse l�? Quem Sabe de Hist�ria Judaica...

Depois de dar algumas explica��es entre elas a de que ele teria duas aulas por semana com a classe às segundas e quartas feiras e de como seriam as suas avalia��es, o sinal tocou.

__ Galera nos vemos na quarta feira, boa aula para voc�s e sejam bem vindos novamente.

Quando o Caio saiu todos os alunos se levantaram alguns foram para porta, outros para o quadro e outros para a carteira de algum colega.

___ Benjamim? Disse algu�m tocando o seu ombro.

___ Oi...

___ Ol� cara, meu nome � Wilhelm, tudo bem?

___ Tudo...

___ Cara que dizer que voc� veio de S�o Paulo? A terra da garoa, dos pasteis de feira e da Vinte e Cinco de Mar�o.

__ De l� mesmo. _ disse o Ben, sem nem um entusiasmo.

__ � uma cidade legal, muita louca, muito grande, mas legal.

__ Aham...

__ Tu chegastes quando?

__ Ontem pela manh� eu estava passando as minhas f�rias l� em S�o Paulo.

__ Legal, bem meu irm�o eu vou sentar ali por que chegou a professora, agente se fala velho.

Wilhelm Wegscheider Spuhler tinha a mesma idade do Ben, seus cabelos lisos castanhos claros cai�o, sobre os olhos verdes, o nariz era um tanto quanto fino parecia ate que iria espetar os olhos de com quem ele falava. Ao contrario do Ben, ele pegava mais sol o que n�o o deixava com uma cor de cera. Pelo contrario dava-lhe um bronzeado bonito. Ele era um pouco mais baixo. Devia ter l� os seus 1.73 e era dono de uma simpatia e carisma impar.

__ Bom dia classe. Meu nome � Maria Augusta, eu sou professora de Geometria, vou trabalhar com voc�s este ano. Alguns de voc�s j� me conhecem...

Qual � o seu nome rapazinho?

___ Benjamim.

___ Bem vindo Benjamim. E o seu...

E assim foram as apresenta��es.

No terceiro hor�rio veio a professora de Hist�ria, Maria Paula, que ao contrario da Maria Paula do Casseta e Planeta n�o tinha nada de gostosa, pensou o Ben, enquanto segurava para n�o rir.

Ela foi a �nica que pediu para que os alunos colocassem os nomes e sobrenomes em uma lista que ela correu por toda a classe.

___ Benjamim Katz Washavski Rothschild, voc� � judeu? _ perguntou ela com um ar de surpresa.

___ Sim, professora.

___ Muito interessante Benjamim.

Bem classe o sinal bateu v�o para o recreio, nos vemos na quinta feira.

O fato de o Ben ser judeu parece que gerou uma curiosidade na turma. Logo, muitos dos seus colegas vieram falar com ele. Fizeram perguntas e alguns coment�rios.

“__ voc� n�o come carne de porco?

__ Voc� foi circuncidado?

__ Voc� n�o acredita em Jesus?

__ Voc� usa aquele chapeuzinho, engra�ado?”



O Recreio acabou, teve aula de Portugu�s e em seguida, filosofia. Agora os alunos pareciam mais soltos com o Ben, mas o Ben, n�o parecia mais solto com eles. Continuava retra�do em seu canto vendo tudo o que acontecia a sua volta.

Onze e quarenta. O sinal bateu.

“Baruch Hashen vou para minha casa, pensei que essa aula n�o ia acabar mais hoje”! ’ Pensou o Ben.

___ Tchau Benjamim, at� amanh� Benjamim...

Ele respondeu a todas as despedidas com um uma hipocrisia genial, se por fora ele sorria por dentro queria que todos se ferrassem. Como se algu�m tivesse culpa do seu mau humor.

Assim o Ben foi para o ponto, pegou o �nibus e saltou perto de casa.

__ J� cheguei m�e. _ disse ele indo para cozinha.

__ Como foi na escola nova?

__ Um saco!

__ O que � isso Benjamim? S�o modos de falar?

__ O que a senhora queria que eu dissesse?

__ Suba Benjamim, se troque e des�a para almo�ar.

A Rachel gosta muito do Ben, procura ser a melhor e mais compreensiva m�e poss�vel, mas ate mesmo as melhores e mais compreensivas m�es, em algum momento se cansam. No caso da Rachel a sua forma de demonstrar irrita��o com o Ben � lhe chamando de Benjamim.

__ E ent�o rapazinho o que aconteceu de t�o negativo assim na escola?

__ Tudo m�e...

__ Tudo � muito profundo e muito superficial ao mesmo tempo. N�o aconteceu nada l� que agradou voc�?

__ Sim, aconteceu algo.

__ �timo, o que foi?

__ O sinal para vir embora, me agradou muito!

__ Ben ate quando voc� vai ficar com essa postura, negativa diante da vida, meu filho?

__ At� o dia que eu voltar para minha casa.

__ Aqui agora � sua casa.

__ N�o m�e aqui e sua casa, eu n�o reconhe�o como minha casa, ent�o n�o � minha Casa!

__ Tudo bem Benjamim, eu n�o vou discutir com voc�. Se voc� quer ter essa postura diante da vida, tenha. Continue agir como um velho resmung�o vamos ver quanto tempo aguenta.

__ Eu n�o sou um velho resmung�o.

__ Eu sei, e n�o disse que era. Disse que esta agindo como se fosse um.

__ M�e sabe o que aqueles caipiras fizeram hoje?

__ N�o Benjamim, o que eles fizeram?

__ Uma m�mia que da aula de hist�ria passou uma lista pela sala pedindo que anot�ssemos nossos nomes e sobrenomes.

__ Sim e da�, que mal h� nisso?

__ Eu anotei. Ai ela foi pegou e leu Benjamim Katz Washavski Rothschild e perguntou: “Voc� � judeu?”.

N�o sou cat�lico, � obvio que sou judeu! Aff!

__ Eu n�o vejo nada de mais nisso Ben, voc� nunca se envergonhou de nossas origens.

___ E quem disse que eu me envergonho?

___ Ent�o qual � o Problema?

___ O problema m�e � que aqueles bandos de caipiras fecharam em cima de mim como se eu fosse, um mico de circo e fizeram um monte de perguntas bestas.

___ Sabe, qual � o verdadeiro problema Benjamim? È voc�. Voc� esta com uma postura muito negativa, muito defensiva e agressiva diante disso tudo. Enquanto voc� n�o der o bra�o a torcer, as coisas n�o v�o melhorar.

E n�o adianta me olhar com essa cara feia, porque voc� sabe que � verdade.

N�o houve resposta.

__ Me ajuda aqui com a lou�a vamos ver se esse mau humor vai embora, junto com a �gua e o Sab�o.

Assim depois de lavar toda a lou�a, o Ben subiu para o seu quarto. Se jogou na cama, ligou a TV, passeou por todos os canais por pelo o menos duas vezes e acabou pegando no sono.

__ Ben, o jantar esta na mesa.

Jantar uma hora dessas? _ pensou ele ao acordar ainda meio sonolento.

Quando consultou o rel�gio vira que havia dormido por quase 7 horas seguidas!

“Cassete, n�o vou ter sono à noite!” pensou.

E em seguida desceu para a sala onde a sua m�e o esperava.

___ Olha s� o que eu fiz: Lasanha ao molho bolonhesa, o seu prato preferido.

Ele deu um sorriso de canto e agradeceu.

___ Benjamim, n�o fa�a as coisas ficarem mais dif�ceis, eu estou me esfor�ando ao m�ximo para tentar fazer a coisa certa e voc� fica ai com essa cara.

___ � a cara que eu tenho m�e!

___ Tudo bem Benjamim, tudo bem mesmo! Eu n�o vou perde mais minha paci�ncia com voc�, mas, tamb�m n�o vou mais ficar te adulando.

Voc� quer voltar para S�o Paulo? Volte!

Mas, isso vai ser daqui a quatro anos, quando voc� for maior de idade. Ate l� rapazinho voc� vai para onde eu for! Fui clara?

A Rachel parecia estar realmente brava, sabiamente o Ben, n�o disse nada, pois pelo o estado de nervos da m�e ele poderia levar uns tabefes.

Assim depois do jantar, ele foi para o seu quarto. E como de costume entrou no MSN, para falar com os seus amigos.

Mas, de todos s� o Lucas estava on line naquela noite.

__ Fala Grande Lucas!

__ Olha o mais novo Catarinense na �rea. E ai barriga verde, gostando do novo lar?

__ Estou detestando cara isso aqui � o fim do mundo.

__ O que � isso, Ben, “Floripa” � um lugar t�o bonito.

__ Por que voc� n�o mora aqui. Queria ver voc� no meu lugar.

Poxa eu sinto a maior falta de voc�s.

__ E n�s de voc�, cara. Ontem est�vamos falando à falta que voc� j� esta fazendo.

__ E voc�s aqui para mim.

__ Mas, logo, logo voc� vai fazer um monte de amigos ai! S� n�o pode esquecer da gente heim!

__ E voc� acho que eu seria louco de esquecer voc�s? Voc�s s�o os melhores amigos do mundo. Voc�s s�o amigos para a vida toda!

E a Carol, Lucas como esta?

__ Esta bem, disse estar com saudades de voc�.

__ E eu dela cara, muita saudade mesmo. Saudade de verdade.

__ � eu imagino que sim.

A conversa dos dois n�o demorou muito, pois o Lucas tinha aula no dia seguinte, e ao contrario do Ben, n�o dormiu a tarde inteira.

Naquela noite o Ben mal conseguiu dormir, quando conseguiu pegar no sono j� era quase quatro horas da manh� e duas horas depois o rel�gio estava despertando. Ele mal conseguia abrir os olhos. Mas, se obrigou a faz�-lo, pois se sua m�e visse o estado de sono que ele estava poderia perguntar se ele n�o dormiu a noite e logo a coisa n�o ia ficar bonita para o lado dele.

Com um esfor�o que para lhe pareceu quase sobre-humano, ele se levantou e foi em dire��o ao banheiro. Tomou um banho gelado para ver se acordava. A �gua gelada caindo em seu corpo o fez despertar. Se vestiu rapidamente e desceu para tomar o caf� da manh�.

___ Bom dia Ben, dormiu bem?

___ Bom dia, m�e. Dormi e a senhora?

___ Como uma pedra.

Ben, hoje eu n�o vou almo�ar em casa com voc� tenho algumas coisas para resolver no centro, mas jantamos juntos. Ok?

___ Ok, m�e.

___ Tem comida congelada no freezer, n�o � um banquete, mas vai dar para voc� aguentar ate o jantar.

Os dois tomaram o caf� juntos, o Ben colocou menos a��car em seu caf� que de costume, o que o deixou com um terr�vel gosto amargo na boca.

È necess�rio _ pensou ele_ preciso ficar acordado.

Meia hora depois o Ben estava entrando no col�gio.

___ Bom dia Benjamim!

___ Caralho, Wilhelm eu n�o vi voc� chegando, Voc� saiu da terra foi?

___ Oh desculpe-me eu n�o tive a inten��o de assust�-lo.

___ Tudo bem...

___ Benjamim que cara � essa? Voc� n�o dormiu essa noite n�o? Esta com olheiras.

___ N�o cara, eu dormi ontem a tarde toda depois do almo�o e a noite perdi o sono. Quando consegui dormir o despertador tocou.

___ Nossa que chato, mas liga n�o a nossa primeira aula � legal, � aula de alem�o, � bem interessante. Acho que voc� n�o vai dormir.

___ Voc� diz isso porque voc� � alem�o. _ desse o Ben dando um bocejo.

O Wilhelm deu um sorriso e disse:

___ Austr�aco.

___ O que? _ perguntou o Benjamim tentando se encontrar o assunto que ele havia se perdido entre um bocejo e outro.

___ N�o sou descente de alem�es. Meus av�s maternos s�o austr�acos e a fam�lia do meu pai � su��a.

___ De qualquer forma voc� fala alem�o, n�o fala?

___ Falo sim.

___ Esta vendo s�?

___ E voc�?

___ Falo um pouco, nada que me fa�a morar em Viena ou Berlim.

O dois sorriram e entram para sala.

Na aula Ben, se esfor�ava para ficar acordado os olhos vermelhos denunciavam que a noite anterior n�o foi bem dormida.

__ Muito bem classe, vamos fazer um pequeno exerc�cio de revis�o da mat�ria.

“Revis�o? Como eu vou rever alguma coisa que nem cheguei a ver ainda.” Pensou o Ben.

__ � um exerc�cio em duplas, por isso escolham seus parceiros porque j� vamos come�ar. _ anunciou o professor;

Antes que o Ben pensasse em fazer dupla com algu�m, o Wilhelm se aproximou e disse:

__ Posso fazer dupla contigo, Benjamim?

__ Claro, acho que fazer um exerc�cio de alem�o, com um alem�o, eu n�o vou me dar t�o mal.

Dando um sorriso, o Wilhelm disse:

__ Austr�aco, paulistano, austr�aco.

Os dois riram e come�aram a fazer a li��o. Algum tempo depois o Sinal bateu. As duas aulas seguintes eram de Portugu�s, outra revis�o do ano passado, mas dessa vez sem exerc�cios, pelo o menos n�o para serem feitos em sala de aula.

Na hora do recreio o Ben desceu e na cantina comprou um copo duplo de caf� forte. Ele n�o gostava de caf�, mas para aguentar o sono tinha de tomar.

Ele estava em um canto sozinho com o copo de caf� e com os pensamentos perdidos, o que n�o era nem uma novidade.

___ Benjamim, ei Benjamim!

Era o Wilhelm chamando.

___ Ei cara, tu fica ai sozinho com esse copo de caf� vem c� encosta aqui para conversar com agente.

Tu j� conheces a turma n�o �? Beatriz, Alice, Renan, Alex e Juan s�o do 1B e os meninos o Marcos, Paulo, Fernando e Gustavo s�o l� sala.

Pessoal esse � Benjamim, nosso colega novo acabou de chegar de S�o Paulo.

Todos o cumprimentaram.

__ Esta gostando da ilha Benjamim? _ perguntou a Alice.

Ele ficou com vergonha de dizer que n�o, ent�o disse:

__ Estou me acostumando...

__ Quando voc� se acostumar voc� vai gostar. Aqui � um lugar muito legal de morar. � uma cidade tranquila que voc� encontra o que procura.

__ E tu j� saiu para conhecer a cidade? _ perguntou a Beatriz.

__ N�o, n�o cheguei no Domingo e ainda n�o tive tempo de sair.

__ Esta ai a oportunidade ent�o o que voc�s acham de sairmos no S�bado à noite? _ sugeriu o Fernando

__ Boa id�ia e podemos emendar no domingo indo à praia. _completou o Gustavo.

__ Esta combinado! Disse o Wilhelm_ nos vemos no s�bado a noite ent�o.

Todos concordaram s� o Ben que ficou calado.

__ E voc� Benjamim, n�o diz nada? Voc� concorda? Voe discorda?

__ Eu n�o sei se eu vou Wilhelm...

__ Sem essa Benjamim, estamos marcando mais para que tu possas conhecer a cidade guri e tu vais dar para tr�s? Protestou a Beatriz.

Ele n�o disse nada, apenas ficou vermelho.

__ E ent�o tu vens ou n�o?

__ Esta bem eu vou. _ disse ele.

__ �timo na semana combinamos direitinho. _ disse o Gustavo

__ O Sinal bateu � hora de voltar para sala rapazinhos e mocinhas. - disse a Cristina a inspetora de alunos.

Na sala de aula

__ Bom dia Classe. Meu nome � Rub�ns, para quem n�o me conhece, sou professor de Matem�tica...

As duas �ltimas aulas o sono do Ben, parecia ter desaparecido como passe de m�gica. Matem�tica � sua mat�ria preferida e o professor era muito bom.

O ultimo hor�rio era de Educa��o F�sica, na verdade o Hor�rio de Educa��o F�sica era um hor�rio diferente das demais aulas, mas naquele dia excepcionalmente seria naquele hor�rio para que os alunos pudessem escolher o que iriam fazer.

__ Quais esportes voc�s tem aqui? Perguntou o Ben ao Wilhelm.

__ Basquete, V�lei, T�nis, Nata��o Futebol e Handebol.

Assim os dois foram fazer as suas respectivas inscri��es.

Depois de um tempo...

__ Ei alem�o, voc� se inscreveu em que?

__ Nata��o e voc�?

___ Coincid�ncia, acho que vamos nos ver mais uns dois dias na semana depois das aulas. _ disse o Ben.

__ Que legal. _disse o Wilhelm dando um sorriso.

Sabe de uma Benjamim, eu devo ter ido muito com sua cara guri.

__ Ah �, e por qu�?

__ Eu normalmente detesto que as pessoas me chamem de alem�o...

__ Oh desculpa cara, vacilei, n�o vou fazer mais isso.

__ Ei guri, n�o precisa ficar vermelho n�o, como eu te falei eu fui com tua cara, n�o importo que me chame assim. Na verdade acho que ate gosto. Mostra que o Ice Man, esta derretendo.

__ Ice man, eu? De onde voc� tirou isso?

__ De onde? Olha s� isso.

Eu sou Benjamim, acabei de chegar de S�o Paulo. I am the Ice man! _ disse o Wilhelm imitando de forma c�mica e caricata o jeit�o do Ben. O que o fez cair na gargalhada.

Quando chegou em casa, o Ben por instinto e costume, gritou:

__ M�e, cheguei.

Depois rindo de si mesmo lembrou que a m�e o dissera que passaria o dia fora. Assim ele subiu para o quarto trocou de roupa, lavou as m�os e em seguida desceu para cozinha para preparar o almo�o.

Como a Rachel havia lhe dito havia comida congelada no freezer, mas havia tamb�m uma pizza. No que ele n�o pensou duas vezes, pegou a pizza e colocou no forno.

Enquanto a pizza assava ele foi escutar o CD que ganhara dos amigos, na festa de despedida que fizeram para ele no s�bado a noite. A primeira faixa, do CD era sua musica preferida: I Ran All The Way Home.

Assim enquanto a pizza assava e a musica tocava, o Benjamim se deixou levar por ela e antes que percebesse, estava cantando:

I ran all the way home.

Just say a IÂ’m sorry (sorry)

What can I Say?

I Ran all the way yay, yay ,yay Â…



De todo, o Ben, n�o cantava mal sua voz um pouco rouca para cantar era firme e havia entona��o. Mas, ele era muito t�mido, quase nunca cantava em p�blico. Digo quase nunca por que uma vez, para surpresa dos amigos, ele se inscreveu num concurso de Karaok�. A m�sica escolhida como voc�s podem imaginar n�o foi outra se n�o: I Ran All The Way Home. Ele foi a sensa��o da noite e acabou ganhando o primeiro lugar.

As lembran�as daquela noite colocaram um sorriso em seu rosto. Ele sentia saudades, daquele tempo. Ser� que viveria aquilo de novo?

No forno a pizza come�ava a dar sinais de que estava pronta, era hora de come�ar a por a mesa. Sem perceber o Ben colocou um prato a mais, por uns instantes havia esquecido que a m�e n�o almo�aria em casa aquele dia.

Ele riu de si mesmo pensando, que se estava fazendo pizza para o almo�o era obvio que a Rachel n�o iria almo�ar ali com ele. Ela jamais em s� consci�ncia, o deixaria fazer pizza para o almo�o.

Enquanto comia o Ben pensava:

__ Pizza com Coca – Cola um manjar dos deuses...

Meio que de relance ele lembrou que era judeu e que na Shem� que ele recitava todos os dias ele afirmava que havia um �nico Deus. Assim para n�o haver um peso de consci�ncia, ele adaptou o pensamento, dizendo ser aquele um banquete digno dos reis.

Depois de comer ele lavou toda a lou�a e subiu para descansar um pouco. Resistiu ao profundo desejo de dormir, se lembrando da noite anterior logo ele preferiu n�o correr o risco.

Al�m do que ele tinha um exerc�cio de portugu�s, para fazer. Objeto Direto e Indireto como ele detestava tudo aquilo. Mas, eram ossos do of�cio fazer o que n�o �?

Uma hora depois ele j� havia terminado todo o trabalho e resolveu dar uma volta pelo bairro, o que te ent�o ele n�o tinha feito.

O bairro onde o Benjamim morava era um dos mais nobres, se n�o o mais nobre da cidade, era muito tranquilo e n�o ficava longe da praia. Foi ent�o que ele resolveu ir ate l�.

Na praia andou descal�o, pela areia e molhou os p�s na �gua, enquanto o vento batia em seus cabelos despenteando-os e acariciando seu rosto. Ele sentia uma sensa��o de liberdade e pensou que em algum momento come�aria a gostar da nova cidade.

Algum tempo depois resolveu voltar para casa, e para sua surpresa descobriu que nem viu o tempo passar. Ficara duas horas na praia. Quando chegou em casa foi direto para o banho.

Pouco depois de sair do banheiro a Rachel estava de volta.

__ Ben, estou em casa.

Ele veio ao encontro dela deu um beijo e perguntou:

__ E ai como foi seu dia?

__ Foi bom, um tanto quanto exaustivo, mas, foi produtivo. E o seu?

___ Tamb�m, foi legal, sabe o que eu fiz hoje?

___ N�o, o qu�?

___ Fui à praia dar uma volta.

___ Que bom meu filho, � bom que voc� saia de casa um pouco. Moramos em uma cidade linda, acho que voc� deve tirar o m�ximo de proveito dela.

___ � acho que e alguma forma a senhora tem raz�o.

___ O qu�? Voc� concordou comigo? Voc� esta com febre, o sol n�o te fez bem? _ Disse a Rachel sorrindo e tirando a temperatura dele.

___ N�o, m�e � obvio que eu estou bem.

___ Bem, rapazinho eu vou ali subir tomar um banho e descasar um pouco. Para fazer o jantar. Eu estou pensando em pedirmos pizza o que voc� acha?

___ Hum... n�o sei, o que a senhora acha de comida chinesa?

___ Ben, voc� tem certeza que esta bem? Primeiro concorda comigo e depois abre m�o de comer pizza, que voc� tanto gosta.

___ Sim, m�e eu estou bem sim. Certeza absoluta s� pensei em variar um pouco.

___ Tudo bem ent�o eu vou tomar meu banho e daqui a pouco ligo para restaurante, para encomendar.

Por mais que eu adore pizza, n�o da para descer, duas vezes no mesmo dia. _ Pensou o Ben.

Algu�m chamou a campanhinha

___ Ben, atende a porta, por favor, deve ser do restaurante. O dinheiro esta em cima da mesa.

Seguindo as instru��es da Rachel o Benjamim abriu a porta j� com o dinheiro no bolso. Realmente era do restaurante. O rapaz da entrega parecia ter seus 19 anos, vestia um uniforme vermelho com pequenas listras amarelas e para decep��o do Ben, n�o era oriental. Era um rapaz mulato de tra�os finos e cabelos bem curtos.

Ele entregou as sacolas para Ben junto com a notinha do pre�o em seguida o Ben entregou o dinheiro no que ele agradeceu e desejou um bom apetite.

___ Pelo cheiro parece que a comida � muito boa.

___ Sim desde que cheguei tenho comido l� com frequ�ncia. _ disse a Rachel tentando usar os hashis.

A �nica coisa que eu n�o aprendi foi como comer com esses pauzinhos.

___ � muito f�cil m�e basta à senhora prender ele assim entre os dedos fazendo uma esp�cie de pin�a. _ disse ele manuseando os pauzinhos entre o dedo polegar e os dedos anelar, m�dio e indicador. _ Viu como � facil? N�o tem segredo.

Nas m�os do Ben parecia ser muito simples, mas para a Rachel aquilo era uma tortura. Hora a comida ia para um lado, hora os hashis para o outro. O que fazia o Ben se contorcer na cadeira de tanto rir.

___ Pode rir e ate mesmo achar que eu n�o tenho coordena��o motora, mas, eu desisto vou ali pegar um garfo e uma faca.

___ M�e assim a senhora vai quebrar uma tradi��o milenar...

__ N�o mesmo, assim eu vou quebrar minha fome. Prefiro quebrar uma tradi��o a morrer de fome. _ disse ela sentando-se a mesa com os talhares de prata nas m�os, que pertencera a sua Bisav� e foi um presente de casamento.

___ M�e, eu posso pedir a senhora uma coisa?

___ Claro filho, o que �?

___ � que os meninos l� na escola v�o sair s�bado a noite e eu queria saber se posso ir com eles.

___ Claro que pode. Eu fico feliz que voc� j� esteja come�ando a se enturmar.

___ E tem mais uma coisa.

___ Sim pode pedir.

___ Nos domingo eles v�o à praia eu posso ir tamb�m?

___ Mas, � claro que sim! � s� vou te pedir duas coisas 01 me diz direitinho para onde voc� vai tanto no s�bado quanto no domingo e 02 n�o chegue tarde, principalmente no s�bado.

___ Tudo bem. N�s ainda n�o combinamos aonde iremos, mas eu aviso a senhora sim.

___ Ent�o esta tudo bem.

Depois do jantar os dois conversaram mais um pouco e o Ben foi deitar, a aquela altura os olhos teimavam em n�o ficarem mais abertos. Pareciam que algu�m havia lhe jogado areia nos neles, pois come�avam a arder.

Ele dormiu a noite toda, um sono profundo e sonhou, sonhou muito. Sonhou com coisas meio sem nexo e algumas quase surreias.

Por�m um pouco antes de acordar sonhou com a Carol, sonhou a cena que eles vivenciaram alguns meses antes na casa dela. Por�m no sonho ele conseguia ir ate o final. Teve uma sensa��o boa.

E quando acordou viu que havia gozado. Levantou com um sorriso no rosto um ar de triunfo, como se realmente tivesse acontecido alguma coisa naquele inicio de manh�.

Ele levantou com o mesmo e sorriso e foi direto ao banheiro.

Olhou-se no espelho a satisfa��o estava escrita em sua testa. Entrou embaixo da �gua do chuveiro e tomou um demorado banho quente.

___ Bom dia m�e! _ disse ele dando um beijo nela.

___ Bom dia, Ben, Parece que algu�m aqui hoje viu um passarinho verde ao acordar n�o �?

Ele teve vontade de contar para a Rachel o que havia acontecido sentiu-se motivado para faz�-lo, mas, a vergonha o impediu e acabou n�o comentando nada.

No col�gio...

___ Wilhelm, bom dia, cara tudo bem?

___ Que entusiasmo guri, o que aconteceu?

___ Nada de mais, um homem n�o pode ficar feliz?

___ Claro que pode nego, mas onde esta esse homem?

Ele fez uma cara de quem n�o gostou do que havia escutado como de fato n�o gostou.

___ Ah guri, n�o faz essa cara foi s� uma brincadeira.

___ Tudo bem. Mas, diz ai n�s vamos sair mesmo no S�bado e ir à praia domingo?

___ Bah olha o guri, para quem disse que n�o sabia se queria ir, tu empolgou de mais heim. O que aconteceu?

Mais uma vez ele esteve para contar o que havia acontecido. Mas, pensou que era algo muito intimo para ser contado a algu�m que ele havia conhecido h� apenas dois dias.

Por�m quando chegou em casa, contou ao Lucas, o que tinha acontecido.

__ Lucas eu sinto aqui dentro de mim que eu vou casar com aquela guria.

__ Guria?

__ Sim, guria. O que h� de mais?

__ N�o nada, mas para quem h� apenas dois dias estava detestando tudo ai voc� incorporou r�pido o sotaque.

__ Ah � como voc� me disse a ilha � linda.

Os dois riram e continuaram a conversar mais um pouco.

A semana passou de forma r�pida e quando o Ben se deu conta j� era Sexta feira.

__ Gurizada, e ai vamos sair amanh� à noite ou n�o? _ perguntou o Gustavo.

__ Vamos sim, mas aonde vamos? _ Perguntou o Juan.

__ Bem eu pensei de irmos ao Boliche o que voc�s acham?

__ Perfeito e que horas nos encontramos? Perguntou o Wilhelm.

Tudo combinado todos foram para suas respectivas casas.

Quando entrou em casa o Ben, sentiu um cheiro que ele conhecia muito bem. Era um cheiro de p�o, mas n�o era qualquer p�o. Era Chal�, sua m�e estava fazendo os tradicionais p�es para o Shabat. Parecia que de alguma forma nada havia mudado. O que deu a ele uma sensa��o de seguran�a profunda.

__ Ben, voc� esta ai meu filho? _ perguntou a Rachel da cozinha.

__ Estou aqui m�e, acabei de chegar.

__ Venha c� ent�o estou meio ocupada na cozinha, n�o posso ir ate ai agora.

No caminho da sala at� a cozinha ele notou que a casa esta impecavelmente arrumada, havia flores nos vasos e um cheiro bom de casa limpa que ele costumava chamar de cheiro de Shabat.

___ Fazendo Chal�s m�e?

___ � impress�o minha ou voc� parece surpreso?

___ Um pouquinho...

___ Mas, por qu�? Eu sempre limpei a casa, troquei a roupa de cama poli os casti�ais fiz chal� e preparei o jantar de Shabat as sextas feiras.

___ Sim, mas, isso em S�o Paulo.

___ Ben, mudamos de cidade e n�o de vida.

___ �, mas aqui tudo � t�o diferente, por exemplo, n�o tem uma sinagoga...

___ Uma sinagoga de fato n�o tem. Mas, tem um grupo que se re�ne na sede da Associa��o Israelita e amanh� vamos l� para o Servi�o Religioso de Shabat.

Aquelas palavras soaram de forma confortante ao Ben. De alguma maneira parecia que as mudan�as, n�o eram t�o bruscas assim. E que era poss�vel conviver com elas.

A tarde come�ava a se despedir o Sol a se por e no c�u V�nus come�ava a dar o ar de sua gra�a.

Na sala de jantar a mesa estava posta e junto ao par de candelabros de prata com um par de velas estavam as chal�s, o suco de uva (em outra ocasi�o seria usado um bom vinho tinto, mas o Benjamim tinha apenas 19 anos e a Rachel jamais o deixaria beber), o Spätzle, a Bureka, muitas frutas e de sobremesa havia torta de nozes com chocolate.

As velas foram acesas e o sil�ncio deu lugar à voz da Rachel, que de p� e com os a m�os no rosto recitava a “brocha” sobre as velas de Shabat: Baruch At� A-do-nai E-lo-h�nu M�lech haolam, asher kidesh�nu bemitsvotav, vetsiv�nu lehadlic ner shel shabat.

Em seguida o Ben com ar serio e concentrado pegou a ta�a de cristal de Baccarat com o Suco de uva e recitou o Kidush sobre ele:



Iom hashishi: veichulu hashamayin vehaar�ts vechol tesevaam.

Vaichal Elochim baiom hashevei� melacht� asher ass�, vayshbot baiom hashevei� micol melacht� asher ass�. Vaiv�rech Elohim et iom hashevi� vaicadesh ot�, ki vo shv�t micol melachto, asher bar� Elohim laasot.

Baruch Ata Ado-nai Elo-heinu Melech HaOlam bore pri hagafen.



Terminado o ritual de inicio do Shabat os dois foram jantar a comida parecia um tanto quanto apetitosa e ambos agradavam e muito da companhia um do outro.

No Cabalat de Shabat eles falavam sobre tudo, às vezes assuntos que conversaram na semana, mas muito mais como uma reflex�o do que como qualquer outra coisa.

Na manh� seguinte o Ben, levantou sedo estava especialmente curioso para conhecer o lugar onde acontecia os Of�cios Religiosos que ele aprendera com o pai a observar e Zelar.

No fim do dia depois da Havdal� o Ben ligou para o Wilhelm.

___ E ent�o, voc�s, v�o mesmo? Certo. Naquele mesmo endere�o?

Sim anotei sim. Nos vemos em dentro de duas horas ent�o. Combinado. Tchau.

___ E ent�o rapazinho tudo certinho?

____ Tudo m�e, esta aqui o endere�o fiquei de encontrar com a turma daqui duas horas.

____ Perfeito � tempo de voc� subir, tomar um banho e comer alguma coisa.

Duas horas depois a Rachel o deixou no lugar combinado e mais tarde como combinado estaria l� de novo para busc�-lo.

A noite foi divertida, estava toda a turma reunida. O Bem conseguiu fazer 2 strikes, o que n�o impediu o que ele levasse uma “surra” do Alex.

___ Cara eu tenho que admitir uma coisa, voc� muito bom nisso, Aex.

___ Benjamim se eu disser uma coisa muito sincera a ti, tu n�o vais ficar com aiva de mim n�o?

O Ben de ombros mostrando n�o se importar.

___ Guri eu sempre pensei que o Will fosse o pior jogador de nossa turma, mas, tu consegui quase super�-lo. Eu digo quase porque uma vez ele foi lan�ar uma bola e acredite, o guri foi junto.

Todos cairam na risada em quanto o Wilhelm tentava se explicar.

___ Que culpa eu tenho de a bola ser t�o pesada?

A explica��o gerou mais risos ainda, principalmete do Ben que j� estava vermelho de tanto rir imaginado a cena.

Quando recuperou o f�lego ele disse:

___ E voc� foi mesmo junto com a bola Alem�o?

___ At� metade da pista. _mais gargalhadas.

Parecia que o Ben estava realmente enturmado, nem mais parecia o Ice Man como disse o Wilhelm dias antes.

E no fim da noite no Boliche, a Rachel foi busc�-lo. Enquanto se desmanchava de tanto rir lembrando da prov�vel cena do Wilhelm indo ao longo da pista de Boliche com a bola segura entre os dedos, ele contava a Rachel à hist�ria e como tinha sido boa à noite.

___ Parece que voc� se divertiu heim rapazinho!

___ Muito m�e, de uma maneira que eu pensei que n�o iria me divertir.

___ � gratificante ouvir isso sabia?

E amanh� voc�s v�o à praia mesmo?

___ Vamos sim.

___ E em qual?

___ A Praia dos Ingleses.

___ � uma praia linda tenho certeza de que voc� vai gostar.

E que horas voc�s pretendem ir?

___ Marcamos de nos encontrarmos �s oito.

___ Ent�o � bom voc� arrumar as coisas que vai levar e ir para cama, pois vai ter de levantar um pouco cedo, apesar de a praia n�o ficar longe daqui.

No dia seguinte.

___ Ben, tomou seu caf�?

___ Tomei m�e.

___ Passou filtro solar?

___ Passei m�e.

___ Est� levando ele?

___ Esta bem aqui.

___ N�o esque�a de us�-lo n�o quero ter um camar�o de um metro e setenta e oito à noite em casa.

___ Pode deixar m�e, eu n�o vou esquecer de usar n�o.

___ Voc� vai almo�ar na Praia?

___ Vou m�e.

___ Olhe l� o que vai comer heim! Procure n�o comer muita besteira.

___ Ok m�e. – disse ele saindo.

___ Ben, mais uma coisinha que eu estava esquecendo.

___ O que foi dessa vez m�e? _ disse ele voltando.

___ Divirta-se.

___ Me divertirei, sim. Mas, agora eu tenho que ir se n�o, n�o chego l� hoje. – disse ele dando um beijo em sua m�e e saindo e seguida antes que ela lembra-se de mais alguma recomenda��o.

Aquele dia estava convidativo para ir à praia. O c�u estava aberto e sol muito quente, devia estar fazendo uns 32 graus, com a promessa de esquentar ainda mais.

No caminho ele viu alguns turistas argentinos que nessa �poca do ano costumam ir passar suas f�rias na ilha.

Ao chegar, avistou de longe a Beatriz, a Alice, o Juan, o Renan, o Alex, o Gustavo, o Marcos, o Paulo e o Fernando.

O Marcos de longe acenava para ele e gritava com todo o seu f�lego:

___ Benjamim! Aqui Benjamim!

Ele j� o tinha visto e havia acenado para ele tamb�m. Mas mesmo assim o rapaz continuava a gritar:

¬__ Benjamim! Benjamim! Cada vez mais alto mesmo quando ele foi se aproximando. Ele s� parou de gritar quando o Bem estava a mais ou menos um metro de dist�ncia deles.

____ Marcos agora toda a praia j� sabe meu nome!_ disse ele ao cumprimentar o rapaz.

____ Esta vendo publicidade gratuita. _disse ele sorrindo.

Antes que tivesse cumprimentado todo mundo o Ben, notou que o Wilhelm n�o estava. E depois de cumprimentar a Alice, perguntou pelo rapaz.

____ O Wilhelm n�o chegou ainda?

____ Parece que dessa vez ele n�o vem Benjamim. Porque ele � sempre o primeiro a chegar e ate agora n�o apareceu. _ disse a Beatriz

_____ Ser� que aconteceu alguma coisa? _ perguntou ele um pouco preocupado.

____ N�o sei, creio que n�o, mas espera um pouquinho que eu vou ligar para casa dele. _ disse a Alice.

De alguma forma o Ben, sentia falta do Wilhelm, talvez por ele ter sido o elo de liga��o entre ele e os colegas. Pensou que ficaria um pouco deslocado.

____ Na casa dele ningu�m atende, e o celular esta caindo na caixa postal.

____ Ser� que esta tudo bem? – perguntou mais uma vez o Ben, s� que dessa vez visivelmente preocupado.

___ Relaxa guri, ele deve estar bem, deve ter sa�do com os pais eles tem uma fazenda aqui perto costumam ir l� nos fins de semana. Deve ter sido s� isso. _ disse o Juan.

O Ben concordou, mas dentro de si manteve uma preocupa��o que n�o dividiu com a turma.

___ Gurizada, bora cair na �gua?_ sugeriu a Beatriz.

Uma sugest�o mais que bem vinda j� que o calor come�ava a incomodar. Eles deixaram suas roupas e seus pertences em canto e todos ca�ram na �gua. Naquele dia a �gua estava um tanto quanto agrad�vel, o mar estava calmo e tudo parecia muito bom.

Depois de pularem, brincarem e darem caldos uns nos outros eles foram sentar na beira praia.

___ Benjamim, voc� poderia, por favor, passar o filtro solar aqui nas minhas costas? _ perguntou a Alice, jogando os cabelos para frente.

___ E-eu? _ gaguejou o Ben, surpreso.

___ Sim voc�, � que voc� � o que esta mais perto de mim, poderia me fazer esse favor? _ perguntou ela sorrindo

Alice Celiñski era descendente de poloneses que no inicio do s�culo XX chegaram ao Paran�, alguns anos depois os seus av�s se mudaram para Santa Catarina, onde sua m�e e seus tios nasceram. Mas, voltando às ra�zes a m�e da Alice voltou ao Paran� e casou com um membro da comunidade Polonesa e assim o sangue Polaco foi mantido por mais uma gera��o.

Ela era uma jovem encantadora, tinha os cabelos longos e claros, um castanho quase loiro, olhos cor de mel e um sorriso que levava qualquer um as nuvens. Era muito educada e um tanto quanto gentil. Tinha pernas bonitas e um corpo com acentuadas curvas, que por uns instantes fizeram o Ben viajar.

___ E ent�o, Benjamim, voc� vai passar ou n�o?

___ Passar? Passar o qu�?

___ O Protetor Benjamim, o protetor em minhas costas.

___ Ah sim, claro, eu vou sim me de ai, por favor. _ disse ele tentando disfar�ar a viagem que havia dado, pensando nas curvas da mo�a.

Enquanto passava o protetor essa viagem, se tornava mais intensa, e claro houve rea��es de imediato ele foi pego de surpresa, teve uma ere��o, que quando se deu conta, tentou esconder a todo custo.

____ Pronto, terminei. _ disse ele devolvendo a ela o protetor.

____ Obrigada, voc� muito gentil.

____ Disponha, disse ele com sorriso bobo no rosto.

Ele ainda ficou olhando ela de longe imaginando como seria passar o protetor n�o s� nas costas, mas em todo o seu corpo. Cada espa�o.

___ Ei vamos, as dunas fazer sandboard ? _ disse o Fernando

Todos concordaram imediatamente. Por alguns instantes, o Ben, conseguiu esquecer das curvas da Alice e ere��o come�ou a passar.

___ Sandboard? O que � isso? _ perguntou o Ben.

___ Venha c� que mostramos a ti. _ disse o Alex sorrindo.

Todos andaram um pouquinho ate chegarem às dunas que separa a praia dos Ingleses da Praia de Santinho.

No caminho o Ben comentou:

____ Praia dos Ingleses, que nome estranho. At� agora eu n�o vi nem um ingl�s por aqui, s� um monte de argentinos. Aqui deveria se chamar praia dos Argentinos, isso sim.

Todos riram e o Paulo disse:

__ Guri n�o seja tanso, o nome da praia n�o � porque t�m ingleses aqui hoje.

__ N�o?

__ Claro que n�o;

__ Ent�o � por qu�?

__ � por causa de um navio ingl�s que encalhou aqui no s�culo XIX. _ disse o Paulo.

__ E o que aconteceu com o Navio?

¬¬__ Existem duas hip�teses para o destino dele. A primeira diz que ele desencalhou e seguiu seu rumo, deixando alguns tripulantes na Ilha. A outra diz que ele naufragou. – disse o Marcos

_ Voc� escolhe a que mais te agradar. _ disse o Gustavo.

Voc�s se lembram daquele desenho animado dos anos 90 o Fant�stico Mundo de Bob (Bobby`s World se preferirem o titulo original), em que um garotinho que tinha um cabe��o e uma imagina��o maior ainda vislumbrava coisas incr�veis a cada palavra que ouvia.

A imagina��o do Ben, era muito pr�xima a do Bob, quando ouviu a hist�ria ficou imaginando o navio encalhado e a pessoas tentando tira-lo de l�.

Depois a imagina��o foi mais longe, pensou que o navio poderia ser um navio de piratas e que havia um tesouro escondido na ilha e que...

___ Terra chamando Benjamim. _ disse a Beatriz.

___ Oi desculpa eu estava distra�do.

___ � eu vi, na verdade todos n�s vimos. Tu n�o escutou uma palavra do que falamos contigo nos �ltimos cinco minutos n�o �?

Ele ficou um pouco envergonhado, mas admitiu que realmente estava distra�do.

__ N�o tem problema n�o guri, eu repito o que disse. Eu te apresentei ao Sandboar. _ disse ela apontando para uma das dunas da qual alguns rapazes e mo�as desciam em uma esp�cie de prancha parecida com a prancha de snowboard.

___ Mas isso � snowboard. _ disse ele convicto.

___ Seria guri, se n�o fosse por um detalhe, n�o temos neve! Temos areia. Ent�o n�o � snowboard e sim sandboa. Algo 100% manezinho. _disse o Paulo com orgulho.

___ Manezinho � quem nasce na ilha de Santa Catarina, guri. _ disse a Alice._ Entedeu?

__ Agora sim.

__ Bem, agora vamos deixar de cnversar e vamos nos divertir. Voc� acha que consegue descer a dua guri? _ perguntou o Gustavo.

__ Eu acho que sim, a tecnica parece com a do snowboard. Eu acho que consigo.

___ Se parece com o snowboard eu n�o sei, porque o que eu vi de mais pr�ximo a neve � o velho congelador da casa de minha av�.

Todos riram do comentario do Gustavo e ele continuou.

__ Mas eu sei que a sensa��o � �tima. Vamos l� voc� vai gostar.

Assim os foram os dez para o alto da duna. O Fernando e Marcos foram os primeiros a descerem e em seguida o Paulo, o Gustavo a Beatriz, o Alex, o Renan, o Juan e por �ltimo ficaram a Alice e o Ben.

___ Viu como � simples? N�o tem muito segredo basta ter um pouco de equilibrio. _ disse a Alice, com do�ura para ele. Descendo em seguida.

Todos j� estava l� embaixo espeando pelo Ben, ele tomou folego se preparou e desceu.

Na metade do caminho de empolgou tentou fazer uma manobra pensado estar na neve e ser o rei do snowboard. O resultado n�o poderia ser outro um tombo na certa.

Todos cairam na risada inclusive o pr�prio Ben.

__ Ei isso n�o teve gra�a, digo n�o teve muita gra�a.

Voc� se macucou Benjamim? _ disse a Alice ainda rindo um pouquinho ao ir ajud�-lo.

__ N�o, eu to inteiro ainda, e pronto para outra. Vamos de novo?

Todos ainda rindo do tombo dele aceitaram o convite e foram mais uma vez para o alto da duna.

Enquanto subia ele pensou o quanto estava se divertindo naquele dia e sentiu falta do Wilhelm. Onde ele estaria? O que estaria fazendo? Ser� que estava bem?

Na hora do almo�o eles comeram em um restaurante perto da praia todos pediram ostras, todos menos o Ben que pediu um fil� de Salm�o com batatas.

Os meninos a mesa olharam para ele com um ar de que n�o entenderam nada. Quando ele terminou de fazer o pedido e viu a cara dos colegas ele deu um sorriso e disse:

__ Por quest�es etnicos religiosas eu n�o como frutos do mar, s� peixes que tenham escamas e barbatanas.

__ Oh Guri, mais tanso! Todo peixe tem escama hahaha_ disse o Paulo dando uma de esperto.

__ Paulo meu querido voc� j� ouviu falar em Peixe Anjo, bagre, ca��o, ca�onete, enguia, manchote, mor�ia, peixe-espada, peixe-porco, peixe-serra, pintado alguma vez em sua vida? _ disse a Beatriz.

__ J� por qu�?

__ �timo ent�o voc� deve saber que eles n�o t�m escamas, n�o �? Mane!

__ Todos ca�ram na risada e o Paulo parou com o seu ar de senhor sabe tudo.

No fim da tarde todos decidiram ir para casa, j� estavam cansados e cheios de areia por um dia. Mas, antes de ir embora o Ben, foi at� a Alice e em tom quase confidencial disse:

__ Ser� que voc� poderia me dar o telefone do ale... digo do Wilhelm � que...

__ Aqui esta Ben, o telefone dele e da casa dele. N�o precisa me explicar nada. Ligue e veja se ele esta bem.

__ Obrigado Alice. _ disse ele com um enorme sorriso. E pensou que se tivesse liberdade com ela teria lhe dado um beijo no rosto, mas apenas pensou j� que n�o tinha essa liberdade. At� porque ela e os demais ainda o chamavam de Benjamim. Mas, o que ele queria se h� apenas alguns dias ele era o Ice Man?

Ao pegar o n�mero do telefone o Ben teve vontade de ligar na mesma hora, mas se conteve ate chegar em casa.

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